sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Mistura.


Na segunda metade do século XVIII, os Estados Unidos deram vários passos no campo da música. Compositores nativos começaram a publicar obras originais. O público americano era iniciado em concertos e óperas. Ao mesmo tempo, estava na moda cantar partituras e tocar clavicórdio.
Em nível popular, havia alegres melodias de dança, cantigas de marujos, rimas políticas. Tudo isto entrou na caixa de surpresas da canção popular americana.
Como essa música chegou aos escravos? Os proprietários rurais mantinham seus escravos na ignorância e no isolamento. Um muro de verdade, embora invisível, isolava-os do resto da sociedade americana. Mas havia muitas fendas no muro e era impossível tapa-las todas. Os escravos que trabalhavam como criados domésticos ouviam as canções que seus senhores conheciam como ouviam também as melodias executadas por violinistas nas festas e nos bailes. Trabalhadores nos campos ouviam trechos de melodias irlandesas ou escocesas assobiadas por seus feitores. As crianças pretas imitavam as cantigas de brincadeira das crianças brancas. A música passava também, até certo ponto, de roça a roça. Era levada não só por visitantes brancos como também por escravos vendidos de proprietário a proprietário.
Os escravos procuravam apreender avidamente toda música que ouviam. Eles se amontoavam perto da Casa Grande na ocasião das festas. Espremendo-se no escuro para ouvir a música que escapava pelas janelas abertas.
A maior parte dos proprietários rurais, interessados em converter seus escravos ao cristianismo, estimulava-os a aprender a cantar hinos. Os escravos cantavam-nos com fervor e infundiam nas melodias simples nova beleza e tristeza. Os spirituals, criados durante os últimos anos da escravidão, são muitas vezes considerados como a mais alta realização da música popular negra. Solidamente baseados em hinos aprendidos com os senhores brancos, esses spirituals, não obstante, eram africanos em seus vigorosos ritmos; e sua intensidade emocional foi forjada na experiência da escravidão.
Os brancos foram excitados, desde o início, pela música negra, do mesmo modo que os escravos eram excitados pelas baladas e hinos da cultura branca. As crianças brancas absorviam as cantigas de ninar, com alterações africanas da melodia cantada por suas babás pretas; e os mais velhos reagiam à folia da música de divertimento dos escravos, aos ritmos mundanos e de seus “gritos” e canções de trabalho, e à poesia e ao profundo sentimento de seus SPIRITUALS.
O fermento que viria a produzir o jazz já atuava na música do tempo da escravidão.

Ella Fitzgerald - Spirituals : Download

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Os colonizadores brancos


Os colonizadores brancos, que já se encontravam no país quando começou a escravidão, provinham de todos os níveis da sociedade européia. Juntamente com suas armas, vestes e provisões, eles trouxeram para o Novo Mundo a música de suas terras natais. Pessoas comuns sabiam modinhas, canções báquicas e cantigas de dança. Colonos de classe superior, educados, tinham conhecimento de rudimentos de ópera e de música sinfônica. E todos sabiam cantar hinos.
A música estava verdadeiramente “no ar” nos Estados unidos da era colonial. Livros eram escassos e pouca gente sabia ler. Precisavam divertir-se e davam o máximo de seus talentos musicais.
Os colonizadores brancos, como os negros africanos, tinham raízes musicais profundamente assentadas no passado. Em tempos antigos, os europeus usavam o ritmo de um modo livre e despreocupado. Havia poucos séculos que compositores tinham começado a escrever música “medida”. Demarcaram linhas de notação musical em compassos uniformes, contendo cada um o mesmo número de cadências. Isto foi considerado um grande progresso musical, mas não deixava de ser, de certa forma, uma camisa-de-força para o ritmo. Com a invenção da música medida, a cadência firma e constante tornou-se regra.
Quando os escravos ouviram o ritmo monótono da música ocidental, sua reação instintiva era acrescentar cadências extras e mudar as tonalidades para produzir um som mais vívido. Dessa maneira, deram uma vibração africana a um sem-número de cantigas e hinos dos brancos.
A melodia ocidental começava tão simplesmente como as canções da África – com a fala humana como trampolim. As canções populares da Europa usavam melodias simples agrupadas em torno de algumas notas, e os escravos se sentiam à vontade com elas. Os colonos trouxeram também para os Estados Unidos versões deturpadas de madrigais ingleses, holandeses e italianos. Os madrigais eram canções para várias vozes, muito popular na Europa durante toda a Idade Média. As vozes não se harmonizavam. Cada cantor tinha uma parte melódica distinta. Que se sobrepunha ou se compunha com as melodias cantadas pelos outros. Era semelhante à maneira de os africanos ocidentais cantarem juntos, sobrepondo chamadas e respostas de um modo complicado. Os madrigais gozavam de popularidade especialmente entre ingleses cultos, muitos dos quais sabiam música. E cantar madrigais era um passatempo favorito da sociedade rural do velho Sul.
Os escravos, em geral, não adotavam uma melodia ocidental em toda a sua integridade. Em vez, tomavam uma ou duas linhas de uma peça musical e as repetiam. Mudavam também o som, atacando as notas à maneira africana – com resvalos e efeitos de modulação e de vibrato.
O ritmo e a melodia surgem naturalmente – mesmo em culturas tão diferentes como as da Europa e da África Ocidental. Mas a harmonia teve de ser inventada e chegou a um pouco tardiamente no cenário musical . A idéia de emitir notas distintas num conjunto, para produzir acordes, começou, ou pelo menos foi constatado pela primeira vez, na Europa do século IX. No tempo em que os Estados Unidos eram colonizados, a música européia continha harmonias altamente desenvolvidas e complexas.
A harmonia deve ter parecido estranha ao ouvido dos escravos. Não que a harmonia fosse inteiramente desconhecida na África. Toda vez que pessoas cantam juntos ocorrem harmonias naturais e acidentais. Mas o sistema sofisticado de acordes da música ocidental era muito diferente de qualquer tipo de harmonia com que os africanos estavam acostumados.
Desde os primórdios, novas canções brotaram no solo americano. Poetas escreviam versos sobre os acontecimentos do dia e os adaptavam às melodias tradicionais. Essas canções eram impressas em volantes e vendidas nas ruas. Eram tão populares, que o pregador da Nova Inglaterra, Cotton Mather, trovejava advertências contra “cantigas e baladas tolas que mascates e viajantes levavam a todos os cantos do país”.
No Sul, tradicionais melodias inglesas mantinham-se vivas. Muitas das velhas cantigas, trazidas para a Virgínia pelos primeiros colonizadores, passaram às montanhas do Sul e ali foram preservadas-com dicção elisabetana e tudo. CARELES LOVE (Amor sem Ansiedade) era uma cantiga inglesa que passou de geração a geração do povo da montanha, até se converter num blues negro.
Em todas as colônias o povo cantava, tocava e dançava. Na Nova Inglaterra, as classes superiores dançavam minuetos. Os aristocratas franceses da Luisiana dançavam quadrilhas – tomadas de empréstimo à corte francesa. No grau mais baixo da escala social estavam o REEL escocês e a JIGA irlandesa.
As canções vinham de muitas terras. A cantiga do Yankee Doodle (Ianque Simplório), canção nacional americana da Guerra Civil baseou-se numa canção holandesa da colheita. AULD LANG SYNE (“Nos bons tempos”, em dialeto escocês) veio da Escócia. THE LAST ROSE OF SUMMER (“ A Última rosa do verão”) da Irlanda , Bárbara Allen , da Inglaterra . HOME, SWEET HOME (“Lar, Doce Lar “) tinha versos americanos , mas a melodia era escocesa. O antigo padrão , FOR HE`S A JOLLY GOOD FELLOW ( “ Pois Ele é um Rapaz Extraordinário”) – também conhecido como THE BEAR WENT OVER THE MOUNTAIN (“O urso Subiu a Montanha ) ou WE WON`T GET HOME UNTIL MORNING (“Só Voltaremos Para Casa de Manhã Cedo “) – remonta a uma canção francesa da Idade Média .(...)


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Tambores Africanos.


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O primeiro navio negreiro a chegar aos Estados Unidos aportou em Jamestown, Virgínia, em 1619. Trazia um carregamento de vinte negros que foram vendidos, imediatamente, aos arrematadores que ofereceram maiores lances. Havia uma grande demanda de mão-de-obra escrava na medida em que as colônias se desenvolviam; na realidade, toda a economia do Sul foi construída na base do trabalho escravo. O tráfico de escravos floresceu por mais de dois séculos. a população escrava aumentava dia a dia com novos carregamentos chegados da África e a escravidão das novas gerações. O governo dos Estados Unidos proibiu o tráfico de escravos em 1808, mas os negros continuaram sendo contrabandeados para o Sul até a época da Guerra Civil. Quando o Presidente Lincoln firmou a Proclamação da emancipação havia quatro milhões de negros para serem libertados.
Os escravos americanos vinham da África Ocidental, de uma extensa área litorânea que ia do Senegal, no Norte, ao Golfo da Guiné, no sul. Os traficantes de escravos infestavam essa região, atirando tribo contra tribo, de modo que pudessem negociar os cativos. Tratavam os africanos capturados como animais, ou pior ainda. Homens, mulheres e crianças eram amontoados e acorrentados nos porões de navios veleiros. Muitos deles morriam durante a longa travessia do Atlântico.
Aqueles que sobreviviam à viagem nos navios negreiros viam-se depois num mundo sombrio e desnorteante. Eram separados de suas tribos e proibidos de falar sua própria língua. Tornavam-se propriedade absoluta de seus senhores. Podiam ser vendidos ou comprados em qualquer tempo e até mesmo ser vendidos ou comprados em qualquer tempo e até mesmo substituir o dinheiro num jogo de cartas. As mães eram separadas de seus filhos, os maridos, de suas mulheres. A duração ou a dureza de seu trabalho estavam a critério de seus senhores, a quem também competia puni-los quando e como julgassem conveniente. Não tinham o direito de posse, nem liberdade de movimento, tampouco o direito de recorrer á lei. Mesmo com os melhores senhores, os escravos viviam uma vida rigidamente restrita sem esperança no futuro.
É curioso que uma música popular tão bela e tão vigorosa surgisse em tais condições. Mas a verdade é que a instituição da escravidão, cruel como era, ajudou, em vez de obstar, o desenvolvimento dessa música e lhe conferiu profundidade emocional.
Durante dois séculos e meio os escravos foram mantidos isolados do fluxo da vida americana. Foi exatamente esse isolamento que os levou a se apegar às suas antigas tradições musicais e a descobrir canais , em meio as muitas proibições , por meio dos quais pudessem expressar seus mais profundos sentimentos . Desde o início , os senhores de escravos , para evitar a revolta, procuraram reprimir as línguas africanas , o uso de tambores de tiros religiosos . Não obstante, o espírito da música africana sobreviveu e era constantemente retemperada com a chegada de novos contingentes de escravos da África. Seus ritmos nativos eram às vezes cultivados clandestinamente, jamais, porém desapareceram. O conceito africano da música como atividade criativa da comunidade esteve sempre vivo. Está no âmago da música popular afro-americana – e do jazz.
Há quem acredite que os negros são dotados de um especial senso rítmico inato. Parece mais provável que os africanos ocidentais, trazidos para os Estados Unidos como escravos tenham desenvolvido, como uma longa prática, um alto grau de arte rítmica. Eram oriundos de uma cultura que, por acaso, tinha ritmos muito complicados. Todos – homens, mulheres e crianças – participavam da música e da dança. Os escravos estavam condicionados a ritmos que faziam parte de sua fala, de suas canções e dos movimentos de seu corpo.
Uma geração transmitia esses ritmos à geração seguinte nas cantigas de ninar, nos movimentos de mulheres pilando o milho, nas canções de homens trabalhando nos campos. As crianças negras ouviam, na hora das rezas, seus maiores baterem os pés e estalar as mãos, e transmitiram a seus filhos o ritmo sincopado.
Toda música se baseia no ritmo, na melodia e na harmonia. Na música africana ocidental, o ritmo é o mais importante desses elementos. A “cadência” dominava toda a execução musical, enquanto a melodia e a harmonia eram relativamente fracas. Na Europa, a música desenvolveu-se no sentido oposto. O ritmo permaneceu no plano de fundo, enquanto a melodia e a harmonia tornavam-se cada vez mais sofisticadas e importantes.
Os antepassados dos escravos americanos usavam a música todos os dias de sua vida numa proporção desconhecida no ocidente. Na África, a música servia a várias finalidades. Os africanos ocidentais não possuíam uma linguagem escrita, de modo que usavam canções para preservar a história de cada tribo, suas leis e tradições. Essas canções mantinham vivos os heróis do passado e as estórias de antigas migrações e combates. E ajudavam a educar os jovens à maneira da tribo.
A música marcava todas as etapas da vida, do nascimento à morte. Cantar, tocar tambores e dançar marcavam a iniciação de um jovem à vida adulta, seu casamento, suas incursões como caçador ou como guerreiro. O menor acontecimento – mesmo quando uma criança perdia seu primeiro dente de leite – podia ter uma canção especial. Um acontecimento importante, como um funeral. Exigiam longas e sofisticadas cerimônias, sempre com acompanhamento musical. Todos esses rituais eram mais ou menos de natureza religiosa. Uniam tribos e reforçavam a autoridade dos chefes e dos sacerdotes.
Os africanos ocidentais também cantavam enquanto trabalhavam. Em geral, trabalhavam em grupos e as cantigas estabeleciam o ritmo e serviam para tornar o trabalho mais ou menos semelhante a uma brincadeira. Nessas cantigas, como nos cânticos religiosos os cantores adotavam o sistema de chamadas e respostas. Um cantor-guia fazia uma declaração na forma de canção e era seguido por um coro, que repetia a declaração, fazia-lhe acréscimos ou respondia com exclamações.
Nos Estados Unidos, as cantigas de trabalho dos negros do Sul eram, naturalmente, da mesma forma de guia e de coro, com também os spirituals e os cânticos religiosos. O jazz, na sua evolução, passou a fazer uso desse intercâmbio de vozes e de muitas maneiras.
À diferença dos europeus, que gostavam de mudanças de disposição em sua música, os africanos acidentais usavam a música para criar uma única disposição. Gostavam de repetir indefinidamente seus cantos, seus ritmos de tambores, suas danças. Essa repetição tinha um poderoso efeito hipnótico. Incitava os guerreiros a combater, ou induzia a uma espécie de transe nas cerimônias religiosas. Cantores e dançarinos de ritos religiosos pareciam transportados para outro mundo. Às vezes tornavam-se “possessos”. Perdiam o contato com seus meio e se arremessavam de um lado para outro ou se atiravam ao chão.
A frase musical curta, repetida indefinidamente nas cerimônias africanas, lembra-nos o riff – uma frase musical curta usada no jazz. O riff do jazz é um trecho no compasso de dois por quatro, em geral de ritmo vigoroso, que deve ser repetido. Pode ser executado repetidamente por um solista ou alternadamente entre as seções de uma banda.
Quando os africanos cantavam, resvalavam pelas notas ou contornavam-nas, em vez de tocá-las diretamente. Não mantinham a altura do tom. Suas vozes brincavam em torno dele e os resvalos e arrebatamentos conferiam a suas canções uma estranha qualidade obsessiva, diferente de tudo quanto era conhecido na música ocidental. Os negros americanos do tempo da escravidão cantavam com as mesmas variações de altura e os mesmos resvalos sutis de nota a nota.
Parece provável que o som blues – tão importante no jazz – remonte à maneira africana de cantar entre as notas e em torno delas. No blues, a terceira e a sétima notas da escala são abemoladas – não por um semitom, com qual estamos acostumados, mas por uma fração mais próxima de um quarto de tom.
Essas notas ligadas ocorrem em toda música popular negra e do jazz. A grande cantora de blues, Bessie Smith, podia resvalar facilmente para tons que não podiam ser postos com exatidão na escala. Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Aretha Franklin, entre os cantores de hoje, são também capazes de emitir notas impossíveis de serem transportadas para o papel. É o contrário da tradição musical européia. Um cantor de formação clássica aprende a emitir notas diretas e de uma maneira precisa. Para um cantor dessa formação desviar-se de um tom é uma catástrofe . Essa diferença de formação explica por que cantores de ópera não se tornam bons cantores de blues.
Os africanos acidentais usavam o vibrato em suas canções, e também isto foi adotado pelo jazz. O vibrato é um efeito ligeiramente trêmulo ou vibratório. Os cantores africanos usavam esse dispositivo para tornar certas partes de suas canções mais importantes ou para conferir-lhes intensidade emocional. No jazz, o vibrato atende à mesma finalidade e estabelece uma pulsação rítmica dentro do ritmo principal da peça – uma cadência dentro de outra cadência.
Os africanos ocidentais conheceram e usaram vários e diferentes instrumentos musicais. Além de simples marcadores de ritmo, como chocalhos e matracas de osso, possuíam um instrumento de corda que foi o precursor do banjo americano. Usavam também um instrumento semelhante à marimba, feito com cabaças e cordas e tocado com duas varetas – o avô do vibrafone. Mas seus instrumentos mais importantes eram os tambores, responsáveis pelos fantásticos ritmos que moldaram a música negra através dos séculos.
Os tambores africanos eram feitos de toros ocos tampados com pele de animais. Esses tambores eram afinados, isto é, a pele era esticada até diferentes graus de tensão, por meio de cavilhas enfiadas na madeira. Eram feitos para imitar os sons da voz humana – masculina e feminina – e até mesmas palavras. Eram, na verdade, “tambores falantes”, por meios dos quais eles deviam falar. O tocador do tambor tanto o percutia com o fazia vibrar com o joelho ou o cotovelo para produzir efeitos diferentes. Os tambores podiam suplicar ou falar com bondade, como também podia ameaçar e rosnar.
Em geral, eram usados de dois a seis tambores, e cada tocados desenvolvia sua própria e complicada cadência. Os ritmos eram insistentes, impulsivos e hipnoticamente fortes. Eram regulares, mas não dentro daquela ordem a que estamos acostumados. Não havia nada semelhante à medida de tempo de compasso quaternário e não havia regras absolutas quanto aos pontos de incidência das marcações. Um tocador africano de tambor acentuava toda décima quinta cadência, se assim lhe aprouvesse. Imaginem as complicações rítmicas quando vários tambores soavam juntos, cada qual numa cadência diferente.
Têm sido feitas muitas gravações da música africana de tambor. African Drums (“tambores Africanos”) é um exemplo disso. Embora de execução mais ou menos recente, essa gravação dá uma boa idéia da tradicional arte africana no toque de tambores, que tem mudado muito pouco através dos séculos. Homens do jazz ouvem tambores africanos com um sentimento misto de admiração e frustração, pois o jazz nunca pôde competir com esses ritmos complexos.
A música africana ocidental não é jazz em si mesmo. Nem se deve esperar dela que soe como o jazz. O jazz moderno levou três séculos e meio se fazendo e a toada africana, que chegou aos Estados Unidos com os primeiros navios negreiros, misturou-se totalmente com muitas diferentes espécies de música de nossa cultura. (...)
African Drums : Download

O Começo


As Raízes Profundas :

O jazz nasceu e se criou ns Estados Unidos. Surgiu lentamente de uma complicada mistura de ritmos africanos e noções musicais européias – de uma maneira que só poderia acontecer em solo americano, pela feliz combinação de povos, tempo e espaço. O milagre está em que o jazz aconteceu mesmo – e continua acontecendo – como uma forma nova e singular de arte, que continua desenvolvendo-se e mudando em nossa época.
A base fundamental do jazz é a música popular negra que se desenvolveu no tempo da escravidão. É a música dos campos do Sul, das senzalas e das igrejas do interior. Música que durante dois séculos e meio expressou os mais profundos sentimentos de um povo escravizado. Nessa música eram despejados ritmos da África, lembrados e transmitidos de geração a geração; nesses ritmos foram transformados as baladas e os hinos trazidos, do outro lado do Atlântico, pelos colonizadores oriundos de toda a Europa Ocidental. Foi essa mistura que produziu os spirituals e os blues, que juntou em Nova Orleãns os tambores do vodu com a banda de música francesa, e que ainda impregna o jazz. (...)

Exemplo de Spirituals : Download