quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Os colonizadores brancos


Os colonizadores brancos, que já se encontravam no país quando começou a escravidão, provinham de todos os níveis da sociedade européia. Juntamente com suas armas, vestes e provisões, eles trouxeram para o Novo Mundo a música de suas terras natais. Pessoas comuns sabiam modinhas, canções báquicas e cantigas de dança. Colonos de classe superior, educados, tinham conhecimento de rudimentos de ópera e de música sinfônica. E todos sabiam cantar hinos.
A música estava verdadeiramente “no ar” nos Estados unidos da era colonial. Livros eram escassos e pouca gente sabia ler. Precisavam divertir-se e davam o máximo de seus talentos musicais.
Os colonizadores brancos, como os negros africanos, tinham raízes musicais profundamente assentadas no passado. Em tempos antigos, os europeus usavam o ritmo de um modo livre e despreocupado. Havia poucos séculos que compositores tinham começado a escrever música “medida”. Demarcaram linhas de notação musical em compassos uniformes, contendo cada um o mesmo número de cadências. Isto foi considerado um grande progresso musical, mas não deixava de ser, de certa forma, uma camisa-de-força para o ritmo. Com a invenção da música medida, a cadência firma e constante tornou-se regra.
Quando os escravos ouviram o ritmo monótono da música ocidental, sua reação instintiva era acrescentar cadências extras e mudar as tonalidades para produzir um som mais vívido. Dessa maneira, deram uma vibração africana a um sem-número de cantigas e hinos dos brancos.
A melodia ocidental começava tão simplesmente como as canções da África – com a fala humana como trampolim. As canções populares da Europa usavam melodias simples agrupadas em torno de algumas notas, e os escravos se sentiam à vontade com elas. Os colonos trouxeram também para os Estados Unidos versões deturpadas de madrigais ingleses, holandeses e italianos. Os madrigais eram canções para várias vozes, muito popular na Europa durante toda a Idade Média. As vozes não se harmonizavam. Cada cantor tinha uma parte melódica distinta. Que se sobrepunha ou se compunha com as melodias cantadas pelos outros. Era semelhante à maneira de os africanos ocidentais cantarem juntos, sobrepondo chamadas e respostas de um modo complicado. Os madrigais gozavam de popularidade especialmente entre ingleses cultos, muitos dos quais sabiam música. E cantar madrigais era um passatempo favorito da sociedade rural do velho Sul.
Os escravos, em geral, não adotavam uma melodia ocidental em toda a sua integridade. Em vez, tomavam uma ou duas linhas de uma peça musical e as repetiam. Mudavam também o som, atacando as notas à maneira africana – com resvalos e efeitos de modulação e de vibrato.
O ritmo e a melodia surgem naturalmente – mesmo em culturas tão diferentes como as da Europa e da África Ocidental. Mas a harmonia teve de ser inventada e chegou a um pouco tardiamente no cenário musical . A idéia de emitir notas distintas num conjunto, para produzir acordes, começou, ou pelo menos foi constatado pela primeira vez, na Europa do século IX. No tempo em que os Estados Unidos eram colonizados, a música européia continha harmonias altamente desenvolvidas e complexas.
A harmonia deve ter parecido estranha ao ouvido dos escravos. Não que a harmonia fosse inteiramente desconhecida na África. Toda vez que pessoas cantam juntos ocorrem harmonias naturais e acidentais. Mas o sistema sofisticado de acordes da música ocidental era muito diferente de qualquer tipo de harmonia com que os africanos estavam acostumados.
Desde os primórdios, novas canções brotaram no solo americano. Poetas escreviam versos sobre os acontecimentos do dia e os adaptavam às melodias tradicionais. Essas canções eram impressas em volantes e vendidas nas ruas. Eram tão populares, que o pregador da Nova Inglaterra, Cotton Mather, trovejava advertências contra “cantigas e baladas tolas que mascates e viajantes levavam a todos os cantos do país”.
No Sul, tradicionais melodias inglesas mantinham-se vivas. Muitas das velhas cantigas, trazidas para a Virgínia pelos primeiros colonizadores, passaram às montanhas do Sul e ali foram preservadas-com dicção elisabetana e tudo. CARELES LOVE (Amor sem Ansiedade) era uma cantiga inglesa que passou de geração a geração do povo da montanha, até se converter num blues negro.
Em todas as colônias o povo cantava, tocava e dançava. Na Nova Inglaterra, as classes superiores dançavam minuetos. Os aristocratas franceses da Luisiana dançavam quadrilhas – tomadas de empréstimo à corte francesa. No grau mais baixo da escala social estavam o REEL escocês e a JIGA irlandesa.
As canções vinham de muitas terras. A cantiga do Yankee Doodle (Ianque Simplório), canção nacional americana da Guerra Civil baseou-se numa canção holandesa da colheita. AULD LANG SYNE (“Nos bons tempos”, em dialeto escocês) veio da Escócia. THE LAST ROSE OF SUMMER (“ A Última rosa do verão”) da Irlanda , Bárbara Allen , da Inglaterra . HOME, SWEET HOME (“Lar, Doce Lar “) tinha versos americanos , mas a melodia era escocesa. O antigo padrão , FOR HE`S A JOLLY GOOD FELLOW ( “ Pois Ele é um Rapaz Extraordinário”) – também conhecido como THE BEAR WENT OVER THE MOUNTAIN (“O urso Subiu a Montanha ) ou WE WON`T GET HOME UNTIL MORNING (“Só Voltaremos Para Casa de Manhã Cedo “) – remonta a uma canção francesa da Idade Média .(...)


Yankee Doodle : Download

Auld Lang Syne : Download

The Last Rose Of Summer: Download

For He´s A Jolly Good Fellow : Download

The Bear Went Over The Mountain : Download

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